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Manifestação

Movimento comunitário promete enfrentar Amazonas Energia e novo sistema de medição

Líderes comunitários querem impedir instalação do novo Sistema de Medição Centralizada, que possui cobranças exageradas

Manifestações comunitárias tentam defender população de cobranças exageradas. Foto: Reprodução

Manaus (AM) – Um movimento contra os abusos nos valores das contas de luz da empresa Amazonas Energia tem ganhado cada vez mais força nas zonas Norte, Sul e Leste de Manaus. Atualmente, com lideranças comunitárias de bairros como Cidade Nova I, II, Jorge Teixeira e outros, o grupo tem se reunido para discutir ações que possam evitar medidas consideradas ‘impopulares’ por parte da empresa, como aconteceu com a polêmica envolvendo o Novo Sistema de Medição Centralizada (SMC) da concessionária. A instalação foi interrompida pela Justiça.

“A gente acha que eles querem recorrer dessa decisão da Justiça e nós não vamos recuar. O povo vai para a rua e vamos mostrar para eles [Amazonas Energia] que o povo é que manda no nosso Estado e não eles. Mexeram com as pessoas erradas, com os mais pobres. Estão na cara de pau roubando as pessoas e nosso movimento continua, sem voltar atrás, enquanto não seja cancelado, definitivamente, esse sistema na cidade de Manaus. Onde iam instalar isso, chegamos com o carro som, de forma pacífica, reunimos a população e impedimos essa ação”, disse Evaldo Cunha, o “Pepety”, líder comunitário do conjunto Renato Souza Pinto 2, no bairro Cidade Nova, zona Norte da capital.

Foto: Reprodução – Contas de moradores, durante instalação do Novo Sistema de Medição, triplicaram de valor, de acordo com moradores


Ainda de acordo com o líder comunitário, a instalação do novo sistema tirava a liberdade do consumidor de saber o consumo real de sua residência. “O sistema era instalado de cima do poste, com várias limitações para gente verificar e não tinha como saber o que a gente estava consumindo na nossa casa. Onde eles meteram esse sistema as contas triplicaram. Onde as pessoas pagavam R$ 200,00 estão pagando R$ 1.000,00 e quem pagava esse valor absurdo até passou para R$ 4.000,00. Os mais afetados são as pessoas mais humildes. Um sistema falho, na nossa avaliação, onde os cabos que deveriam ser de cobre, são de alumínio. O fio esquenta mais e já vem roubando a energia desde aí. Isso começou a aumentar as contas do povo. Nós, líderes comunitários estamos unidos nesta luta e quase todos os dias fazemos reuniões nas comunidades, levando conhecimento e até entramos com um processo contra a Amazonas Energia na Procuradoria, para que o sistema seja cancelado, definitivamente. Nosso movimento é pacífico, mas não queremos ser roubados”, afirma.

Revolta e mais revolta

A própria conta de energia do Líder Comunitário já é um verdadeiro absurdo. De acordo com Pepety, de R$ 192,84 cobrados em dezembro de 2021, o valor disparou para R$ 1.079,46 em janeiro deste ano. Moradora do Renato Souza Pinto 2, a professora Doralice Lima, 32 anos, viu a conta de luz dar um salto astronômico. De R$ 230,00, pagos em dezembro do ano passado, para R$ 1.123,52. “Juro pode Deus que nunca fui tão roubada na minha vida. Eu já vinha sendo, porque passo o dia trabalhando e só chego de noite. Deixo tudo desligado. Tenho uma geladeira, um fogão e uma televisão de eletrodomésticos. Todos fora da tomada durante o dia, porque moro sozinha. Agora, sou roubada muito mais. Estou enojada dessa empresa”, desabafa.

Antônio Lópes é comerciante e morador do núcleo 15 da Cidade Nova. Segundo ele, não vai deixar de comprar comida para mulher e os 3 filhos, para pagar a Amazonas Energia. “Vocês só podem querer nos destruir, Amazonas Energia. Aqui em casa, estávamos pagando R$ 300,00 e agora, eu dei um pulo quando vi. Nos cobraram R$ 1.035. Que é isso? Minha família não vai passar fome por causa de vocês. Sinto muito”, fala indignado.

Sandro da Silva, 18 anos, mora no bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus. O estudante afirma que alugou sua primeira kitnete para começar a vida de forma independente da família. Porém, depois que viu sua conta de energia sair de R$ 53,00 para R$ 315, tomou uma decisão. “Não dá! Vou é voltar para casa dos meus pais, porque ganho pouco e, de verdade, isso está um absurdo”, disse.

Enquanto isso, na ALEAM

Das comunidades para o parlamento, marcando o retorno das atividades da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Sinésio Campos (PT) disse, nesta terça-feira (1), que vai retomar os trabalhos da CPI da Amazonas Energia. “A CPI da Amazonas Energia continua e nos consumirá, pelo menos, durante três meses. Um assunto de interesse da população, pois colocamos o nosso mandato à disposição do povo”, fala Sinésio.

Ainda de acordo com o deputado estadual, que preside referida CPI, o retorno das atividades da Comissão está marcado esta quarta-feira (4), a partir das 14 horas. “Nesta quarta, para aprovação de requerimentos e ata da 19ª reunião. O povo não aguenta mais o abuso, os desmandos e a falta de um serviço de qualidade, tanto na distribuição quanto na geração de energia”.

Recordar é viver

O Em Tempo relembra que, por meio do Novo Sistema de Medição Centralizada (SMC), que vinha sendo instalado pela concessionária Amazonas Energia, nos bairros de Manaus, as manifestações em bairros carentes da capital começaram a explodir.

No conjunto Canaranas, a população se mobilizou, juntamente com os moradores do Conjunto Fazendinha, na Cidade Nova, para impedir que a estrutura fosse montada nos postes e realizaram uma manifestação no dia 19 de janeiro.

Na ocasião, o líder comunitário de Canaranas, Lívio Nascimento, afirmou que muitas pessoas ficaram sem energia elétrica, pois não conseguiram pagar os altos valores cobrados na conta de luz pela concessionária.

“Se nós não lutarmos, nós vamos retroceder e viver na lamparina, na vela, como se fosse nos primórdios, no tempo da caverna”, disse o líder comunitário.

Já no dia seguinte, 20 de janeiro, houve uma manifestação no Novo Aleixo contra o preço abusivo. No terceiro dia de protestos, um grupo de manifestantes se reuniu na Avenida Torquato Tapajós contra o aumento da conta de luz. No local, foram incendiados papelões no meio da via.

Foto: Reprodução – Movimento tem buscado defender população dos bairros das cobranças exageradas

Amazonas Energia se defende

Em nota, a Amazonas Energia informou que havia recebido, também no dia 20 de janeiro, no auditório da Sede da Empresa, localizado na avenida Sete de Setembro, bairro Cachoeirinha, líderes comunitários do Canaranas para falar sobre o Sistema de Medição Centralizada (SMC), explicando os benefícios na melhoria do fornecimento de energia.

De acordo com a empresa, a reunião foi composta pela equipe responsável pelo novo sistema, diretores e gerentes da companhia. Com uma abertura positiva, segundo a concessionária, os líderes comunitários apresentaram suas dúvidas e pontos importantes para esclarecimentos.

“Durante a reunião foram esclarecidos pontos e informações importantes para o entendimento sobre o projeto. Além dos questionamentos, foram apresentados os procedimentos e orientações que antecedem à instalação do novo sistema, como avisos prévios e cabos de interligações”, afirmou um trecho da nota.

Suspensão continua

Por enquanto, a polêmica instalação do novo sistema continua suspensa pela Justiça, depois que o juiz da 3ª Vara Cível, Manoel Amaro de Lima determinou a interrupção dos serviços de instalação e também, a suspensão da cobrança das medições já efetivadas pelo novo sistema em funcionamento nos bairros Cidade Nova, Colônia Santo Antônio, Nova Cidade, Parque Dez, Riacho Doce e da União.

Na ocasião, o magistrado estabeleceu multa de R$ 300.000,00 caso a companhia não cumpra as medidas. A decisão cabe recurso. Após a suspensão, a diretoria da Amazonas Energia disse que irá cumprir a decisão judicial, mas disse que iria reavaliar o processo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

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