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Gel de gengibre

Estudo do Inpa pretende comercializar gel de gengibre para tratamento do ‘pé diabético’

Com o objetivo de ajudar os pacientes com o pé diabético ou outras úlceras, foi desenvolvido no Amazonas uma pesquisa sobre as potencialidades do gengibre amargo em cicatrizar feridas

Foto: Daniel Jordano/Divulgação

Manaus (AM) – Sendo uma nova alternativa no tratamento de doenças crônicas como o diabetes, o gel à base de gengibre é resultado de um estudo inédito feito para fins terapêuticos. O medicamento é desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa do Amazonas (Inpa) e promete tratar úlceras graves, como o pé diabético.

As complicações relacionadas ao diabetes podem ser variadas. Uma delas é o pé diabético, um problema que inicia com uma pequena ferida. Porém, sem os devidos tratamentos, pode evoluir para uma úlcera, ao ponto de o paciente precisar amputar uma parte do pé ou o membro por completo.

Apenas no Amazonas, cerca de 753 pessoas com pé diabético precisaram sofrer amputações nos prontos-socorros do estado em 2019. Em Manaus, no mesmo ano, as cinco policlínicas Danilo Corrêa, Codajás, Gilberto Mestrinho, Zeno Lanzini e José Lins registraram 40.283 casos de pé diabético – sem necessidade de amputação.

Os casos de pé diabéticos também são um problema que atinge todo o país. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de amputações por pé diabético atingiu 10.545 pessoas entre os meses de janeiro e agosto de 2020. Segundo o órgão, 43 pessoas tem os membros inferiores amputados por dia em razão da doença.

Medicamento

Com o objetivo de ajudar os pacientes com o pé diabético ou outras úlceras, foi desenvolvido no Amazonas uma pesquisa sobre as potencialidades do gengibre amargo em cicatrizar feridas.

Conforme o pesquisador Carlos Cleomir, doutor em recursos naturais e em biotecnologia, o medicamento surgiu a partir do Projeto Unidade Demonstrativa de Cultivo e Bioprosprecção de Espécies Amazônicas que visa transformar espécies de plantas da Amazônia em medicamentos, alimentos e cosméticos.

“Nós temos produtos que já estão sendo trabalhados do ponto de vista científico para vários tipos de doenças, como as doenças crônicas, principalmente, diabetes e cânceres”, diz o pesquisador.

O hidrogel à base de gengibre amargo tem como o principal ativo o Zerumbona, o qual possui um alto poder terapêutico por impedir o surgimento e o desenvolvimento de lesões causadas pelo diabetes. Segundo o pesquisador Carlos Cleomir, os ativos presentes no hidrogel são resultados de um estudo inédito em relação ao diabete.

“Esse ativo tem várias potencialidades farmacológicas de interesse na pesquisa a nível não só de Manaus, mas do mundo, sendo um projeto único para fins terapêuticos”, conta.

Os extratos presentes no gel possuem várias ações farmacológicas importantes, tais como a atividade anti-inflamatória, antimicrobiana e vasodilatador que garantem benefícios para o sistema imunológico. “Vamos dizer que ele trabalha na regulação da imunidade. Isso é muito importante, pois trabalha com a citotoxidade de células necrosadas. Então todas essas ações são básicas para o tratamento de um diabético”, explica Cleomir.

Pesquisa

O estudo já passou pela fase pré-clínica e clínica e, ao longo do processo, reuniu alunos de mestrado e doutorado, sendo realizado em uma Unidade de Saúde Básica no bairro São José, Zona Leste de Manaus.

No primeiro momento, em 2015, participaram da pesquisa 46 pacientes com risco cirúrgico e depois o grupo foi reduzido para 27 pessoas, pois o restante excluído não cumpria com os requisitos do caso clínico. “A partir de noventa dias, 95% desses 27 pacientes cicatrizaram em sessenta e três dias”, ressalta o pesquisador.

Segundo Cleomir, uma outra pesquisa vai iniciar em 2022 em conjunto com o setor de feridas da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). “A UEA trabalha com centenas de diabéticos e nós vamos implantar, juntamente com a universidade, esse projeto”, afirma.

Comercialização

O hidrogel a base de gengibre amargo ainda não é comercializado, isso porque o medicamento ainda precisa passar por outras fases clínicas. Hoje a pesquisa se encontra na fase dois e futuramente passará para a fase três dos testes clínicos. Porém, ainda não há previsão de conclusão do estudo. “Alguns anos atrás nós pensávamos que como a espécie é amazônica, nós teríamos privilégio de registro em um curto tempo, mas precisamos passar por outras fases clínicas e obedecer as regras do setor regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, diz o pesquisador.

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