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Pandemia no setor cultural

Músicos do AM se reinventam durante redução de shows na pandemia

Uma pesquisa nacional revelou que 89% dos músicos passaram a ganhar menos dinheiro durante a pandemia, em 2021. Músicos amazonenses revelam suas vivências nesse período

Amazonenses revelam como se reinventaram na pandemia Foto: Reprodução

Manaus (AM) – A pandemia afetou diretamente o setor cultural. Uma pesquisa nacional revelou que 89% dos músicos passaram a ganhar menos dinheiro durante a pandemia, em 2021, e tiveram que se reinventar.

A pesquisa Músicos/as & Pandemia, feita pela União Brasileira de Compositores (UBC) e o cRio, o think tank da ESPM revelou que 2021 teve um aumento em relação a 2020, quando 86% alegaram terem sofrido perdas. A apuração tem margem de erro de cinco pontos e ouviu representantes de todos os estados brasileiros.

O levantamento nacional aponta que preocupantes 50% dos profissionais perderam 100% do que ganhavam com música antes da pandemia, enquanto 25% dos entrevistados perderam até 50% e os 25% restantes tiveram queda de até 80% dos rendimentos.

Os números são preocupantes e revelam as dificuldades que os artistas passam durante os altos índices de casos da covid-19.

A música prevalece

Neste período, os músicos precisaram se reinventar e buscar outras formas para sobreviver. A pesquisa mostra como a pandemia forçou artistas que antes se dedicavam exclusivamente à música a buscarem outras fontes de renda.

Se 46% dos entrevistados seguem com renda totalmente proveniente da música, 18% afirmaram que começaram a procurar outras atividades por causa da pandemia, enquanto 35% afirmaram que já tinham outros trabalhos anteriormente.

Apesar da renda dos shows ter caído, a cantora amazonense Márcia Novo revelou que o benefício da Lei Aldir Blanc ajudou nesse momento tão delicado. Se não fosse dessa forma, Márcia acredita que tudo teria sido bem mais difícil.

“Realmente veio para dar uma força, um gás, no setor cultural. Eu sou prova disso, minha equipe também. Foi o que nos manteve nessa pandemia”, revelou Márcia.

A cantora afirma que antes da pandemia tinha uma alta frequência de shows, mas não tinha reservas, não imaginava que a pandemia viria e afetaria todos os setores do país. Além da Lei Aldir Blanc, a cantora decidiu direcionar a energia e produção para outros trabalhos.

Márcia passou a dar mais atenção para o flutuante de aluguel que tinha e investir no turismo. Além disso, começou a dedicar-se ás mídias sociais e fechar publicidades no seu perfil, os famosos “publis”.

“Fiz muita ‘publi’ pela minha rede social. Eu já estava muito presente digitalmente e na pandemia eu potencializei ainda mais, e fechei muitos trabalhos”, conta a artista.

Recuperando o rendimento de antes

A pandemia trouxe um medo de que as coisas não voltassem a ser como era antes. No entanto, com a retomada gradual o setor cultural, os artistas voltam aos palcos.

Este momento aconteceu para Márcia durante as festas de fim de ano, principalmente no ano Novo. A cantora revela que conseguiu, até mesmo, rendimentos maiores do que antes da pandemia.

“No início da retomada estava bem devagar. Mas aí com o final de ano chegando os rendimentos voltaram e eu até diria que rendeu um pouco mais”.

Márcia acredita que motivo seria porque as pessoas estavam com saudades de se reunir. “Toda a oportunidade que a galera tinha de estar se reunindo, fazer uma festa, escutar um som, aproveitava. A galera estava com saudades mesmo”, expõe.

Na contramão da pesquisa

O duo Kellen e Fonseca nasceu durante a pandemia

Enquanto alguns artistas enfrentaram dificuldades e decidiram encerrar suas carreiras, o duo Kellen e Fonseca nasceu.

Gabriel Fonseca e a namorada Kelen Maia fundaram o duo e acreditam que a pandemia serviu para ajudar na criação da dupla musical.

A dúvida era: como eles iriam expor o seu trabalho se os bares e casas de shows estavam com limitações? Fonseca conta que sabia que teriam que lidar com esse problema, no entanto, se adaptaram às circunstâncias.

“Montamos um projeto tendo como base os decretos e todas as suas restrições e tudo isso para as pessoas não ficaram sem música ao vivo”, revela Gabriel, que convidou a namorada para se juntar a ele ao perceber a necessidade de uma voz feminina.

Sobre a pesquisa que revela que 89% dos músicos foram afetados, Fonseca acredita que a pandemia ajudou os artistas a se reinventarem, e mostrou a força do setor.

“Acreditamos que os músicos podem se reinventar, assim como nós e inúmeros músicos fizeram. Foi um cenário triste e preocupante, mas mostrou o quão forte somos para espalhar a nossa arte e verdade”.

O futuro dos eventos após a pandemia

A pandemia ainda está longe de acabar. Apesar disso, a pesquisa mostrou as perspectivas positivas dos artistas para volta das plateias.

A amazonense Márcia acredita que a que retomada será gradativa. Para ela, a pandemia ainda não vai acabar, pelo menos, pelos próximos cinco anos, e é necessário que toda a população se vacine, para se possa vislumbrar o fim da pandemia.

“A pandemia não vai acabar agora. Eu acredito que não vamos vencer esse vírus ainda esse ano não. Agora deixa aí o estimulo para o pessoal se vacinar. Esse processo só estar demorando mais tempo também porque está faltando conscientização da galera nesse sentido”

Márcia acredita que o cenário cultural será de número menor de público, e aos poucos, vai aumentando. O principal, no momento, é fazer essa retomada aos poucos.

O setor cultural acredito vai ficar vivendo essa onda pelo o que parece, […] e é necessário fazer isso de maneira segura, no momento certo.

Já Fonseca acredita que levando em consideração as circunstâncias atuais, as pessoas não estão receosas. Por isso, não haverá dificuldade da adesão do público ao retorno.

Para Fonseca, o público não terá dificuldades em retornar a assistir shows

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