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Com produção do AM, Festival Kariwa Bacana é selecionado em edital musical

Em dois dias de programação, o festival abordará diversas urgências ambientais

Manaus (AM) – Um recorte da pluralidade musical da região Norte será apresentado no Festival de Música Kariwa Bacana, produção amazonense contemplada no edital Natura Musical. 

Com realização prevista para o segundo semestre de 2022, o festival é produzido por Patrícia Borges e Agenor Vasconcelos, em parceria com João Paulo Barreto, coordenador do Centro de Medicina Indígena Bahserikowi. 

A música kuximawara, símbolo de resistência cultural no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), é inspiração para o Festival que contará com apresentações de músicos da região do Alto Rio Negro e de outras cenas de música independente da região Norte, interligando cosmologias ancestrais e vivências urbanas de músicos da Amazônia.

“Montaremos um palco em frente ao Bahserikowi (Rua Bernardo Ramos, 97, Centro), o evento será gratuito, seguindo todas as recomendações sanitárias vigentes. A ideia é realizar um festival para decolonizar ouvidos, romper hegemonias sonoras e compartilhar acordes ancestrais. Um festival para exaltar as vozes e a produção musical na Amazônia”, explica a produtora e jornalista Patrícia Borges. 

Em dois dias de programação, além das apresentações musicais, o festival abordará diversas urgências ambientais em entrevistas com artistas, intelectuais e ativistas. Nomes como João Paulo Barreto, Ângela Mendes e Uýra Sodoma serão convidados para compor a programação de entrevistas. 

Parceria com Bahserikowi

O Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, coordenado pelo antropólogo João Paulo Barreto, é o ponto cultural parceiro do Festival Kariwa Bacana. Criado em 2017 para oferecer cuidados baseados nas práticas de saúde indígena, através do atendimento de especialistas (pajés) e de plantas medicinais, o Bahserikowi é também um espaço de intercâmbio cultural e diálogo com outros saberes.

“Antes da pandemia da Covid-19, no último sábado de cada mês, realizávamos a festa tradicional com danças de kariçú, yapuratu e outros instrumentos musicais dos povos indígenas do Alto rio Negro. Também se realizava oficinas de danças indígenas com os jovens indígenas moradores de Manaus. Além das oficinas de comunicação, de fotografia, de grafismo, entre outras oficinas”, explica João Paulo Barreto, antropólogo e coordenador do Bahserikowi.

Para Barreto, a parceria com o festival é um momento de evidenciar a presença e a cultura indígena em Manaus. “Um momento de divulgação das danças, instrumentos musicais e uma oportunidade para o público de Manaus conhecer o Bahserikowi e Casa de Comida Indígena. Além de ser um momento de encontro de jovens, seja indígena e não indígena. Uma convivência entre as diferenças. Momento de conscientização e engajamento do público em torno de causas indígenas, reunindo pessoas diferentes em torno de música”, diz o antropólogo. 

Sobre as atrações, João Paulo adianta que a tradição é um elemento que vai compor a programação musical. “Trata-se de um festival onde terá músicas e danças tradicionais. Terá apresentação dos jovens indígenas e danças de kariçu”, diz Barreto.

*Com informações da assessoria

Fotos: Agenor Vasconcelos

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